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quinta-feira, outubro 18, 2007

O Homem que Desafiou o Diabo (2)

Como todo bom filme deve ser coeso, não dá pra apontar em cenas isoladas de "O Homem que Desafiou o Diabo" um requisito pra merecer toda a obra.

Mas devo ter exagerado em algumas coisas. Na verdade, a cena em que aparece Hélder Vasconcelos - ex-integrante da banda pernambucana Mestre Ambrósio, no papel do Cão Miúdo, vale pela gestualidade folclórica com que o sujeito encarna o coisa ruim.




Lembro de dois shows de Mestre Ambrósio que presenciei em um só final de semana de 2001, em São Luís-MA, em que Hélder encarnava uma velha, conhecida pela tradição popular, como "Usina". "Usina" é a música homônima do grupo, uma velha que teve dez filhos de uma vez só e, com o passar dos tempos, cada qual padeceu por não ter dado certo na vida.



A performance de Hélder como a velha era fantástica - é pena que não tem registro no YouTube - com uns trapos velhos e com uma corcunda disfarçada, chamava os homens do palco pra dançar por tiração de onda. De certa forma, tem uma imagem da "velha", num desses shows do Mestre Ambrósio já captados.



Saudoso Mestre Ambrósio. Seria bom a sua volta.

quarta-feira, outubro 17, 2007

O Homem que Desafiou o Diabo

"O Homem que Desafiou o Diabo" não vale uma resenha.

Reafirmo: O filme "O Homem que Desafiou o Diabo", do diretor caça-níqueis Moacyr Góes, não o excelente "As Pelejas de Ojuara", de Ney Leandro de Castro.

"O Homem que Desafiou o Diabo" não vale uma cocada. Melhor, no vernáculo potiguar,"O Homem que Desafiou o Diabo" não vale o cú que o piriquito roa. Perdi dinheiro. Perdi tempo. Duas horas intermináveis de bobagem explícita, de má montagem, de má edição.

E não é querendo desagradar os conterrâneos fanáticos, que há muito não viam a produção de um filme todo feito por aqui. A impressão que dá é que a gente retrocedeu em matéria de bons filmes nacionais de temática regional. Mas não, não é verdade, temos "Auto da Compadecida", "Narradores de Javé", "Lisbela e o Prisioneiro", "O Céu de Suely". Conclusão: deve ser ruindade de Moacyr Góes mesmo. Nem com tanto investimento o homem faz um filme que preste (vide bobagens como "Dom" e aqueles filmes da Xuxa). Imagine um filme desses feito por Guel Arraes. Melhor,né?

Já "As Pelejas de Ojuara", o livro que rendeu essa "bomba", é fantástico. Fruto de uma revigoração da linguagem de cordel, escrito em 1982, Ney Leandro de Castro conseguiu elogios infindáveis de Carlos Drummond de Andrade e tantos outros entusiastas da literatura. O livro, sim, traduz um épico sertanejo. A sexualidade soa mais fluente e sem retoques. As aventuras tem uma continuidade e um ritmo compassado, o que não se vê nesse "O Homem que Desafiou o Diabo". A história flui sem sentido nenhum, sem explicação lógica, sem razão aparente. E o personagem Ojuara, do livro, tem vida própria, mas que ficou prejudicado no filme pela má condução de personagem e de suas histórias, o que é uma pena, vide o bom esforço de Marcos Palmeira.

As locações do filme são belíssimas: Acari, Carnaúba dos Dantas, boa parte do litoral natalense. Mas acho que é só. O filme, pra não deixar de criticar novamente, parece um carro alegórico sem rumo.

Mas quem quiser ver que veja, eu leria o livro. :)


terça-feira, outubro 16, 2007

O impacto de Tropa de Elite


A minha primeira impressão, após terminar de ver o sensacional "Tropa de Elite", de José Padilha, foi a de um impacto que nunca cheguei a experimentar em nenhuma outra produção nacional das poucas que tive oportunidade de assistir.

A cultura nacional certamente lembrará de 2007 como o ano em que veio à tona um terreno nunca dantes navegado, entre o limiar da sobrevivência nos morros - retratado com muita franqueza pela figura dos atiradores do BOPE - numa seara antes abordada apenas por uma visão esquerdista tendente a tratar a violência como resultado de política social mal planejada, humanizando a figura do bandido dos morros - fruto desse caótico sistema de poucas oportunidades.

É claro que a visão da esquerda revigora, em parte, e não deve ser desmerecida. Porém, o que se vê em "Tropa" é justamente a preocupação imediatista de enfrentar a situação de violência de uma vez, e não esperando por um lampejo de benevolência do Estado Social para um planejamento a longo prazo. Daí, vigora a importância de se retratar o Estado de repressão - encarnado com autoridade pelo BOPE e por Capitão Nascimento, um homem no limiar entre a ética e o instinto de sobrevivência frente ao agonizante Morro do Turano, no Rio de Janeiro.

O tapa na cara, como muitos observaram, vem na endemia do sistema tráfico (banditismo do morro) - consumidor final (classe média carioca). A "consciência social" dos traficantes, tolamente interpretado pelos colegas do "aspira" André, nada mais mostrou do que um quarto poder subreptício e nocivo à paz social nos morros (já mostrado em 'Cidade de Deus") que a visão policial fez ainda mais questão de destronar, numa visão crua dos embates e táticas de guerra utilizados.

Num retrato humano dos três personagens principais - Capitão Nascimento(o contundente Wagner Moura), Aspirante André ( o surpreendente André Ramiro) e Aspirante Neto ( o inspirado Caio Junqueira), nada se faz mais coerente do que explanar o processo de brutalização pelo que os dois últimos passaram e pelo resultado final encarnado no primeiro.

O processo de brutalização é coerente e, pior, justificável, na medida em que observamos a situação de guerrilha urbana e na pouca esperança que se é dada numa corrupção policial endêmica e no descaso das autoridades federal e estadual.

Não é que se queira justificar a violência por si, mas um meio recorrente de práticas desumanas, impostas pelos policiais, encarna o instinto primitivo evidente nas corporações de elite, a qual, infelizmente, não se enxerga outra alternativa viável por ora para entornar a situação.

De certa forma, esse filme enseja um debate profícuo que não cabe, por si só, em um singelo post.

Digo uma coisa pra quem não viu: é um filmaço!!! E não aconselho assistir ao filme sob a ótica de uma visão canhestra e esquerdóide. É a realidade máxima que já se pôde verificar em uma obra de "ficção" (se é que se pode se chamar de ficção) nacional. E não se surpreenda em torcer mesmo pelas práticas de tortura do Capitão Nascimento. É justamente o que o filme pôe em cheque para o espectador, na análise da frase prefacial da película: "a situação é mais importante que o caráter ao determinar as ações de um indivíduo".

Nada mais oportuno para nós, sociedade, levar a debate este filme como forma de auto-aprendizado.

E só como uma frase final, pra relembrar o nome deste blog, digo que, sim, pior é a guerra. É neste caldeirão que nos enfiamos e estamos atolados até o pescoço.

Saudações. E agora sim,voltei.






segunda-feira, março 05, 2007

Entretenimento pra caba hômi


De volta aos trabalhos, posto aqui o incrível western"Sete Homens e Um Destino" e o clássico-maior de Scorcese: "Touro Indomável", filmes que vi nesse período de ócio criativo, para deleites de entretenimento.

O primeiro é uma reunião dos caba mais bruto que Holywood poderia reunir : Yul Brynner e a sua experiência de russo(tem gente mais bruta que russo?), Steve McQueen e seu carisma sempre característico(também notado em "Papillon" e "Bullit"), Charles Bronson(a palavra "Charles Bronson" já é auto-explicativa pra explicar a brutalidade humana) e James Coburn(o vara-pau mais feio da história do cinema, empatado com Ron Perlman), além de Eli Wallach(antes de ter a feição de bom velhinho gerada por filmes- mamão com açúcar como "O Amor não Tira Férias) como o inimigo do povoado mexicano defendido pelos 7 mercenários.
O filme já começa mostrando pro que veio com a magnífica trilha sonora - das mais marcantes da história do cinema(ainda me pego assobiando a musiquinha). Não vou antecipar tudo porque não é minha função aqui de revelar o filme pra quem nunca assistiu, mas só por uma cena do filme chamo atenção: a do bar na cidadezinha na fronteira EUA-México, em que os camponeses mexicanos avistam um homem repleto de cicatrizes e um comenta: "Esse aí deve ser bom pra chamar pro nosso grupo", enquanto o outro rebate: "Eu recrutaria o homem que fez essas cicatrizes nele."
O segundo é a melhor reunião Scorcese-De Niro, na minha franca opinião (a parceria rendeu ainda "Taxi Driver,"Os Bons Companheiros", "Cassino" e outros...).
Conta a história real de Jake La Motta, boxeador dos anos 40 e avassalador contra seus oponentes. É um dos relatos mais sinceros da auto-destruição humana, demonstrado tanto no ciúme possessivo que sentia pela mulher quanto pelas dúvidas em relação à natureza de seu caráter.
Há uma clara referência a outro grande personagem do cinema: Terry Malloy(Marlon Brando em "Sindicato dos Ladrões") e a famosa frase"I could be a good man, I could be a contender", repetida por Jake La Motta nas suas reflexões pessoais.

Hoje em dia, qualquer referência ao faroeste que não seja a cowboy viado não mais se aplica e os bons filmes de boxeador já ficaram saturados, exceto a continuação de "Rocky Balboa", que ganha respaldo por se tratar da conclusão definitiva de um clássico do cinema.

Fiquem com esses filmes e aprendam um pouco com os caba!!!

No mais, é isso....